A era da sustentabilidade dá lugar ao período da regeneração

A era da sustentabilidade dá lugar ao período da regeneração

A sustentabilidade é um dos temas mais importantes e discutidos nas últimas décadas em todo o mundo.

Porém, é necessário entender que a sustentabilidade precisa andar de mãos dadas com a regeneração para colher os seus frutos.

O que é sustentabilidade? 

Você se lembra de ouvir pais ou avós dizendo que invadimos os espaços dos animais e dos bichos? 

Daquele lugar que antes era uma floresta, fizemos casa, correndo, dessa forma, o risco de ter um animal peçonhento à nossa espera a qualquer momento. 

A era da sustentabilidade acabou. Precisamos, urgentemente, entrar na era da regeneração.

Ao cortar árvores, desviar rios, terraplanar morros, e agredir o solo para construir casas traz inúmeras consequências ambientais.

A ação antrópica expulsa os animais de seu habitat natural e, consequentemente, é um convite para virem morar perto de nós.

São os exemplos de florestas destruídas ou queimadas que antes eram moradas de serpentes, ratos e escorpiões, por exemplo.

Essa lógica também vale para microrganismos, como vírus e bactérias.

E, segundo cientistas brasileiros, foi justamente isso que provocou a pandemia de Coronavírus.

O médico Gonzalo Vecina Neto afirma: “esses vírus e outros micro-organismos vivem na natureza. Quando acabamos com ela, diminuímos o espaço vital deles.”

De acordo com o sanitarista da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, esses animais “buscam alternativas para continuarem existindo”.

Ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Vecina Neto diz que outro problema está na forma como nos relacionamos com a natureza.

“Não só estamos invadindo o espaço desses micro-organismos, como, em contrapartida, estamos proporcionando muitos outros lugares para eles”, comenta.

Para o médico, “a criação intensiva de gado, porco e frango, dá a oportunidade de aumentarem outros espaços para prosperar”.

O Coronavírus e a questão ambiental

O alto poder de mutação dos vírus é um dos grandes perigos para o ser humano. 

Ao entrar em contato com animais, o homem pode fazer com que o ciclo zoonótico dos vírus seja interrompido, e passe, ele mesmo, a se tornar também um hospedeiro.

São casos de humanos que manusearam animais mortos, foram picados por insetos, ou ainda mordidos por roedores infectados, e foram expostos ao vírus.

A bióloga Paula Prist conta como os humanos podem contrair e, posteriormente, transmitir uma enfermidade que antes era limitada aos animais.

Para ela, “pode-se dizer que todas se deram em razão da degradação do meio ambiente”.

A pesquisadora do Laboratório de Ecologia da Paisagem e Conservação da Universidade de São Paulo (USP), critica a ação do homem na natureza.

“A transformação de ambientes florestais em pastos ou áreas agrícolas quase sempre diminui a variedade de espécies locais”, finaliza.

Sendo assim, o desmatamento e a degradação ambiental podem ser considerados como fatores fundamentais para a disseminação de doenças entre animais e homens.

E o que isso tem a ver com a economia?

Vivenciamos por meses com os prejuízos para a economia, com lojas de portas fechadas, empresas encerrando atividades e trabalhadores demitidos.

Frutos da necessidade de distanciamento e isolamento social, essas situações foram impostas por um vírus.

Além disso, outras questões podem vir à tona nesse momento, ou ainda em um futuro próximo.

Não podemos mais nos arriscar a viver situações semelhantes a essa num espaço curto de tempo.

Caso contrário, corremos o risco de ver ainda mais empresas decretando falência, mais pessoas desempregadas e, por fim, mais gente passando fome.

Se continuarmos nos arriscando, abusando do mau uso dos recursos naturais, podemos sofrer consequências extremamente danosas.

A degradação do solo, da água, e do próprio homem e seu trabalho podem fazer emergir outras pandemias.

O tema agora é a regeneração

Sabina Deweik afirma que o planeta chegou ao limite da capacidade de sobrevivência com influências humanas.

Em seu artigo publicado no portal O Futuro das Coisas ela diz: “Já ultrapassamos a capacidade de carga da Terra e extrapolamos a biocapacidade do Planeta”. 

Segundo ela, “a dívida do ser humano com a natureza cresce a cada dia e a degradação ambiental pode destruir a base ecológica que sustenta a economia”.

Por consequência, a sobrevivência do próprio ser humano também está ameaçada.

Sabina defende que o homem não somente é capaz de, mas tem a responsabilidade de dar existência, fazer nascer, regenerar a vida na Terra.

“A fragmentação do ser humano com a natureza, na qual não nos enxergamos como parte dela, é um dos grandes entraves de nosso futuro como espécie”, comenta.

Ela comenta a situação de que o homem “retira recursos da mãe terra em uma dinâmica nociva de ‘pego mas não reponho’”.

E essa regeneração ultrapassa os limites do ecossistema, e Sabina defende que precisamos rever diversos posicionamentos e crenças que possuímos hoje.

Podemos citar:

Esses são alguns dos critérios que devem embasar o que muitos especialistas hoje chamam de um “novo contrato social” para a humanidade.

Uma humanidade mais solidária, responsável e regenerada, tanto no aspecto social, como econômico e ambiental.

Essa nova humanidade teria poder para programar um futuro mais justo, mais resiliente e com foco na sustentabilidade.

Publicado por Ibraim Gustavo

Ibraim Gustavo: Jornalista, pós-graduado em Marketing e MBA em Comunicação e Mídia. Possui formação em Profissões do Futuro (O Futuro das Coisas) e no Programa de Capacitação da Nova Economia (Startse). Empreendedor, sócio-fundador e COO da Freestory.

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